GASTRONOMIA
GASTRONOMIA
A cidade sensual podia ter, em melhor actividade, a sensualidade da mesa como tem a do sexo, embora mais de língua que no agir.
Os portugueses que primeiro viram o estuário votaram-no a S. Sebastião, santo ao espeto; os franceses descobriram na característica montanha um "pot au beurre"; e quando os portugueses novamente olharam o rochedo, acharam-lhe a forma de pão de açúcar: Antes os índios chamavam ao sítio goa-na-bará, por suas águas (...)
Ai, embora bela paisagem, o lugar não atraía portugueses, nem piratas, que queriam apenas traficar pau-brasil, saguis e papagaios com o gentio.Nada encontrou ali de valioso (...)
Tiveram de provar mandioca. E outras comidas da terra. E foram provadas. Nas enseadas deste rio, comer e manjar atingem significações espantosas, de boca, sexo e intelecto: Comeu! O pau come! Manjou? Estou aí nessa boca? Uma uva! Que broto! Vamos papar, Come-Quieto, Boca de siri!. Comidas meu santo!
In Comidas, meu santo - Guilherme Figueiredo

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