complementos

Monday, February 20, 2006

GASTRONOMIA - Um agradecimento

Na hora de agradecer ao deus
Depois de um lauto banquete, era ocasião para os agradecimentos.
«Discutem: quem fará a prece? O dono da casa fala ao conviva Demócrito:
- Dize o que quiseres; ficará escrito em vinho.
E Demócrito:
- Escopas: fatigaste-nos a fatigaste a tua mulher, criados, criadas, cozinheiras, padeiros e ainda os vizinhos para fatigar-nos a nós com a tua comida e bebida. Discretamente obrou Sócrates quando entrando num grande e provido mercado exclamou: "Oh, deuses imortais, de quanta coisa não necessito!" Tu poderias dizer o contrário, a saber: "Que são todas estas coisas, comparadas com as que necessito?" A natureza necessita de pouco, com pouco se sustenta e mantém, a abundância e a variedade sufocam. Plínio disse: "A diversidade de alimentos é pestilente ao homem e também a de condimentos." O peso do corpo e o embotamento dos espíritos provêm de muita comida e bebida, o que impede reagir como racionais. Por isso, julga por ti mesmo a gratidão que te devemos.
- Assim agradeceis comida tão opípara? - brada Escopas.
- Sim. E que melhor bem podemos trazer-te senão mostrar como como te deves conduzir? Tu nos envias a nossas casas feitos brutos; queremos deixar na tua homem que sabe cuidar da saúde, a própria e a alheia, vivendo de acordo com a natureza, e não segundo a opinião dos néscios. Passa bem e sê prudente.
Uma lição de moral, ao lado da de prazer."
(In Comidas, meu santo, de Guilherme Figueiredo)

0 Comments:

Post a Comment

<< Home