POESIA - Antero de Quental
A um crucifixo
Não se perdeu teu sangue generoso,
nem padeceste em vão, quem quer que foste,
plebeu antigo, que amarrado ao poste
morreste como vil e faccioso.
Desse sangue maldito e ignominioso
surgiu armada uma invencível hoste…
Paz aos homens e guerra aos deuses! – pôs-te
em vão sobre o altar o vulgo ocioso…
Do pobre que protesta foste a imagem:
Um povo em ti começa, um homem novo:
De ti data essa trágica linhagem.
Por isso nós, a Plebe, ao pensar nisto,
lembraremos, herdeiros desse povo,
que entre nossos avós se conta Cristo.
(Antero de Quental)

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