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Tuesday, April 05, 2005

ANTOLOGIA - PEDAGOGIA VII

A escola, uma máquina devorante

A que assistimos nós no ensino primárioem que nenhum exame a sério marca o fim dos estudos? Ao caos.
Em poucos anos, o tempo de habituação à liberdade, a pedagogia foi literalmente deslocada. Acabaram-se os programas e os métodos, ou quase. Acabou-se a coesão de outrora, quando havia só uma maneira de ensinar; agora há 36 ou mais: um apor cada professor. Cada um puxa a brasa à sua sardinha, segundo as próprias tendências e convicções, quer no sentido extremo do conservadorismo quer no sentido contrário.
Não é preciso ser-se perito no assunto para antever semelhante caos, mas agravado, no ensino secundário, caso se viesse a suprimir a aptidão pois os alunos não deixariam de se perguntar: «Se não nos candidatarmos à Universidade o que estamos aqui a fazer?» «E nós também, que fazemos aqui?», acrescentaraiam os professores. Como aconteceu com os nossos colegas do ensino primário, seria o fim do conforto e da segurança moral. Enquanto se prepara um exame não se fazem perguntas sobre a sua finalidade. A finalidade do ensino está à vista, são os exames! Exames que são a base desse mesmo ensino. Se o exame fosse anulado tudo se desagregaria.
Os nossos responsáveis têm consciência disto. E imaginara, assim uma solução para o caso de vir a ser suprimido o exame: o controlo contínuo. Será melhor assim? Há quem pense que sim e, aparentemente, esta eventualidade não choca ninguém: nem os alunos, que serão continuamente avaliados, nem os professores que se tornarão vigilantes permanentes...
(Pierre Joncour)

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