GEOGRAFIA - IDENTIDADE
GEOGRAFIA - IDENTIDADE
Inicio, hoje, a publicação - não necessariamente contínua - de uma série de textos alusivos à temática acima aludida. Espero que apreciem!
O ATLAS FURTIVO
(...)
- Vejamos, Betros. De Buscara a Samarcanda, se nos encontramos para lá de Oxo, quantas léguas deve haver?
- Na verdade, não sei - respondia ele, do seu canto. Dizem que aí a terra é como um lago, larga e plana... mas com bom piso, claro... Quantas léguas se podem cobrir, montado num asno... em sete dias de caminho plano?
- Compreendo. Digamos umas vinte dúzias.
Fazia-se passar por néscio com frequência, sobretudo se lhe parecia que assim nos divertia. Com efeito, embora fosse cego e nunca tivesse aprendido a ler as cartas ou o traçado dos mapas, havíamos-lhe falado disso extensamente. Quando lhe descrevíamos os fólios do Atlas, franzia o sobrolho e inclinava-se para trás. E, fingindo contrariedade, ralhava-nos sempre.
- Como podem crer que os pontos são cidades... e as manchas reinos? Nenhuma carta do mundo, nenhuma cor, pode explicar uma comunidade. (cont. - Isto é só para aguçar o apetite)
(BOSH, Alfred, 2001, O atlas furtivo. Lisboa: Editora Livros do Brasil)

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