PENSAMENTO
Da Carta de guia de casados
A reformação dos costumes coisa é boníssima e santíssima.Tem porém nas casadas seu limite; de maneira que por se darem de todo àqueles bons exercícios, não desamparem os da obrigação de seu estado, no qual Deus deixou virtude e santidade bastante para que, sem saírem dele, se possam salvar todos e todas, a quem compreende.
(...)
Convém que a casada tenha o seu confessor certo; e este seja pessoa grave e conhecida, e daquelas religiões que mais florescem no lugar onde viver. Muitas senhoras de grande estado vi confessar com curas e párocos de suas freguesias, que quando eles sejam homens doutos e sisudos, julgo por excelente costume. Pois como até na eleição do confessor pode haver desacerto, discreta resignação e desconfiança seria não fiar de seu juízo coisa tão importante, e seguir aquela que a Igreja tem feito, entregando sua consciência à pessoa a quem as entrega aquele a quem Deus e seu Vigário as tem entregado.
(D. Francisco Manuel de Melo)

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