ANTOLOGIA - PEDAGOGIA XI
A escola, uma máquina devorante
E cada vez mais me convenço que o maior bem que se pode fazer a uma criança resultará da relação afectiva , da atenção com que a ouvirmos e sobretudo da qualidade da imagem humana que se lhes oferecer.
(...) Não existe evidentemente uma pedagogia perfeita ou se existe é impraticável nas nossas condições económicas e sociais.
Pode-se sempre dizer que não é a pedagogia que faz as crianças mais inteligentes, que a sociedade que espera os jovens é sempre a mesma, inigualitária, que nunca se evitará a luta pela vida, a corrida para alcançar as melhores posições, começada nas carteiras das escolas e impulsionada pelos pais. Talvez. Mas, pelo menos, se não se pode aumentar a inteligência, faz-se um esforço para não traumatizar ninguém.
Os novos métodos tendem indiscutivelmente para uma maior liberdade da criança e todos os pedagogos se alegram com isso. Mas que virá a contecer? Quando vemos com quantos obstáculos esses métodos deparam e como são recuperados pela escola - é conhecida a história do vinho novo em odres velhos - podemos realmente perguntar o que nos dará verdadeiramente a escola. Porque uma reforma que para muitos não passa de uma alteração de programas não pode ir longe. (...) O problema é vasto e mais do que pedagógico, político, na medida em que ainda se não definiu - e tem que se definir - o papel dos jovens na cidade moderna.
(Pierre Joncour)

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