GEOGRAFIA - IDENTIDADE (A melancolia do g...
A melancolia do geógrafo
(...)
Este estatuto de geógrafo tinha assim podido servir-me para ocultar a convicção, pacientemente forjada por anos de ensino, que, na realidade, este país não passava de uma miragem, uma visão do espírito, uma ilusão de óptica. Fantasma geográfico parecido com a Antília, manifestação de um desejo contrariado de permanência; o cúmulo é que sendo geógrafo, ou seja, sendo considerado uma autoridade pelos alunos oficiais de marinha que era convidado a formar, sendo um especialista da cartografia, ou seja, teoricamente, um conhecedor do mundo, um dos seus utilizadores, praticanete da viagem e do (sic) seus derivados, a ideia de abandonar, nem que fosse apenas por alguns dias, a única região que me viu nascer, tenha suscitado semore em mim inquietação e revolta. E, também nesse particular, eu tornei-me geógrafo para melhor dessimular que a viagem não existe fora da operação mental, não tem realidade material: excepto em pensamento. Ninguém se desloca nunca, ninguém vai a lado nenhum, nem em direcção a ninguém; a única coisa que sabemos fazer é ficar e, ficando, revoltar-nos e imaginar que, como o filho pródigo, ou seja, no fundo constrangido a regressar, dispomos da liberdade de fugir.
(op. cit.)

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