GEOGRAFIA - IDENTIDADE (A melancolia do g...
A MELANCOLIA DO GEÓGRAFO (cont.)
Tornei-me geógrafo num país pouco maior que um quarto de criança, um país com a forma de um berço, estreito como um túmulo, cujo território mal chega para nele colocarmos os que amamos: à direita a minha mar, a minha preferida, a minha irmã mais velha; à esquerda o meu terra.
(...)
Por vezes, como na Escola Infante D. Henrique onde as salas de aulas eram todas baías envidraçadas viradas para o mar e só a praia deserta separava a fachada do mar, acontecia-me pensar que a outra fachada, nas traseiras, nessa espécie de sombra lançada pela cidade, já era a fronteira e já era o estrangeiro. Ali, eu iniciava os outros (...) na geografia de um país que não passa de um litoral, uma margem do mundo.
(cont.)

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