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Wednesday, June 29, 2005

GEOGRAFIA - IDENTIDADE

A MELANCOLIA DO GEÓGRAFO (cont.)

Aposto que, como me acontecia já quando era criança, se me transportarem de olhos fechados para qualquer sítio, sou capaz de adivinhar instantaneamente onde estou; (...)
E acho que sou capaz de fazer ainda melhor: numa região de fronteira, sou capaz de dizer sem me enganar, onde é o nosso lado e onde começa o outro; consigo dizê-lo menos por saber distinguir sinais particulares apenas visíveis para mim do que por sentir pesar sobre mim, fisicamente, a barreira atlântica, por me pesar, fisicamente, a proximidade do grande precipício aberto no litoral, essa vertigem que me está próxima; (...) ou então por sentir nas costas o apoio do promontório castelhano, a meseta, essa escrivaninha por cima da qual a espanha contempla o oceano (...)
É então isso que eu pretendo, eu que não tenho qualquer sentido de orientação e que, para o adquirir, me tornei geógrafo.
(op. cit.)

[Notaram que hoje passei a inscrever aqui meros excertos. No futuro, espaça-los-ei ainda mais. Isto porque apenas pretendo aguçar o apetite aos eventuais leitores que, estando interessados, e não possuindo a obra, a podem aqduirir - a Editora agradecerá, certamente.]

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