GASTRONOMIA - Pratos nacionais II
PRATOS NACIONAIS
O prato nacional é como o romanceiro nacional, um produto do génio colectivo; ninguém o inventou e inventaram-no todos; vem-se ao mundo chorando por ele, e quando se deixa a pátria, lá longe, antes do pai e da mãe, é a primeira coisa que lembra.
Ora ao passo que o francês apenas conta em pratos nacionais, as medíocres tripas de Cayenna e a infecta bouillabaisse provençal, o italiano o macarroni e alguns desagradáveis petiscos e berrar de especiarias, e o nosso amigo espanhol a sua complicada e maravilhosa olla podrida, em Portugal não há província, distrito, terra que não registe entre os monumentos locais, a especialidade de um petisco raro, sábio, fino, verdadeira sinfonia de sabores sempre sublime, embora uma ou outra vez palreira e desinquieta nas regiões infra-diafragmáticas do tubo esmoedor.
(Fialho de Almeida, cit. in Volúpia - A nona arte: a gastronomia, de Albino Forjaz de Sampaio)

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