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Thursday, February 02, 2006

ORAÇÃO FÚNEBRE

ORAÇÃO FÚNEBRE

Não é ostentação da vaidade, nem a adulação da riqueza e do poder que nos atrai hoje aqui a este obséquio fúnebre. É a voz augusta da Religião que nos manda orar junto do túmulo de dois Grandes Filhos da Igreja Católica: é o amor santo da Pátria que nos manda honrar a memória do nosso Rei e do nosso Príncipe, dignos do nosso respeito e amor, pelas suas acções e virtudes, e mais dignos ainda da nossa saudade e das nossas lágrimas, pela morte trágica que os prostrou. É a expressão inofensiva da saudade, desafogando nesta pompa fúnebre, os sentimentos de dedicação e amor pelo Rei e pelo Príncipe, que a ingratidão mais descaroável e o furacão das tempestades políticas arrojaram para a eterna paz do Senhor!
Pompas iguais, honras semelhantes, prestadas em todos os recantos da terra portuguesa (...) são uma prova frisante, um testemunho insuspeito e um pregão eloquente do amor que em todos existia pelos Augustos Extintos, e da dor que agora punge o coração de todos os portugueses, ainda os mais intransigentes, mas sinceros e honrados adersários das Instituições, pelo infame e cobarde atentado que os vitimou.
(...)
Pois seja também com flores que entreteçamos uma coroa de amores, venerações e respeitos (que endereça à Família real) tão digna como virtuosa, tão prestimosa como patriótica: é que na fragância dessas flores, subam até Deus, as nossas orações implorando para os nossos queridos mortos a Luz da Graça Infinita e o descanço da Paz Eterna; e para os outros... para os desgraçados, que os mataram... para esses... o perdão sa Sua Misericórdia sem limites.
Venho espontaneamente aqui, sem convite de qualidade alguma, porque unindo ao vosso, o meu preito de saudosa homenagem, quero, pobre, mas sinceramente dar um testemunho público, da dor íntima que aflige a minha alma, pela morte de Aqueles a quem na vida dediquei afectuoso amor de obscuro mas fiel vassalo. É empresa superior às minhas forças, bem o sei, não digo já, o traçar a biografia, mas desenhar os perfis, mas perfis instantâneos do meu Rei e do meu Príncipe.Sirvam porém a pureza das minhas intenções e a sinceridade das minhas convicções de motivo à vossa generosa indulgência a que desde já ligo o meu profundo reconhecimento. E para que meus lábios não profiram senão palavras de paz, de amor, de verdade e Religião, eu imploro as luzes do Altíssimo que dá o descanso Eterno aos que se finam.
(...)
Para o espírito de Portugal, a morte destes seus dois filhos foi um atristíssima tristeza e uma grande eliminação. O País interiro amou e venerou esses dois nomes, que glorificam um anacionalidade e enobrecem uma civilização. Grandes pela crença, pelo carácter, pela honra e pela virtude, fiéis servidores da causa da religião e da Pátria, da civilização e do progresso, o Rei e o Príncipe ao morrerem, assinalaram o luto do País e eternizaram a sua existência.

(Excertos de Oração fúnebre, recitada nas exéquias celebradas em Condeixa, em 22 de Fevereiro de 1908, pelo Padre João Augusto Antunes.)

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