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Monday, April 03, 2006

GASTRONOMIA - Elogio do vinho

ELOGIO DO VINHO
(...) Asoto faz o elogio do vinho:
- Sentamo-nos seberos e tristes; bendissemos a mesa em quietude e silêncio; cada qual sacou de sua faca e, mais que convidados, parecíamos forçados, tal a nossa fleugma e frouxidão. O vinho não se esquentara ainda nos cascos. Um colocou o guardanapo no ombro, outro no peito, este estendeu parte da toalha nos joelhos, aquele tomou o pão, olhou-o, revirou-o, limpou-lhe os carvões e cinzas. Alguns começaram a ceia pela salada, outros pela carne de vaca salgada para despertar o gosto e a sede ao paladar adormecido. O primeiro copo foi de cerveja, cimento fresco para o ardor do vinho. Afinal, agarraram o sagrado licor, primeiro em copos pequenos.
E rercorda: o dono da casa mandou trazer copos grandes e se danaram todos a beber.
- E então começamos a conversar, depois nos aquecemos, e já tudo era alegria e riso descompassado! Oh, noites e ceias felizes! Brindamos uns aos outros, correspondendo-nos, porque não era ocasião aquela de desfeitear um companheiro!
(In Comidas, meu santo, de Guilherme Figueiredo)

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