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Thursday, April 14, 2005

ANTOLOGIA - PEDAGOGIA XII

A escola, uma máquina devorante

Ao (ouvir os alunos) penso que, muito mais importante do que inculcar-lhes o sentido da ordem e da disciplina, é fazer deles seres autónomos, responsáveis. No mundo actual e no do futuro, eles deverão saber-se submeter e sobretudo, se não quiserem ser cilindrados, saber decidir, optar, resistir à opressão dos aparelhos económicos, políticos e mesmo policiais que hoje pesam sobre o Mundo como outrora a fome, a peste e a cólera.
(...)
A sociedade não necessita apenas de assimilar a si a ciência, mas algo mais. É preciso escolher: dizer o que a escola é e não é. Ninguém o sabe ao certo, nem professores nem alunos. A sua função alterou-se muito depois de Jules Ferry. E seria um grande erro considerá-la como dantes, ou seja, como uma alma, a Alma Mater, que acolhesse todods no seu seio. Que a escola nos deu alguma coisa, é verdade; o contrário seria o cúmulo, passar lá inutilmente dez anos ou mais. Mas em todo o lado se aprende: no hospital, na prisão, na rua, no fundo dos vales, no cume das montanhas; por que razão a escola não haveria de ter qualquer coisa a ensinar?
Mas seria uma ilusão se ficássemos só com este raciocínio. O ensino está longe de ser o leite materno que nos alimentasse para toda a vida. Pelo contrário, é uma máquina grande e complexa que nos domina.
(Pierre Joncour)

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