GEOGRAFIA - IDENTIDADE (A melancolia do g...
A MELANCOLIA DO GEÓGRAFO
a pesca do peixe-espada, o biombo trazido da China; o suor, o tabaco, a melancia, o centeio e as conservas de peixe; os cavalos do Dão, descendentes das montadas de Alexandre, com um penacho na testeira, os lobos nos vales quando gela, a urina do touro negro de combate, os laranjais, a carroça do hortelão, os medronheiros, os podadores e os que limpam o mato, o canto da osga nas canas amarelecidas dos telhados e a peçonha que ela deixa na roupa a branquear ao sol, a hera, o leite coalhado, o lúpulo nos seus vales profundos, o figo, as tripas, as raparigas, as golas de raposa dos guardadores de rebanhos ao romper da aurora, o cheiro dos bodes que eles guardam, as matas de zimbros, a perdiz cinzenta, a cruz dos calvários e as capelas do Minho; nomear o promontório sagrado do cabo de S. Vicente; depois de Gama, chamar o Adamastor e falar com ele; nomear o pinhal que forneceu o ventre das barcas que baptizam, a madeira onde pintam o olho de Deus; a matreação e as velas desfraldades das caravelas.
(op. cit.)

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