POESIA
A
JOSÉ ESTÊVÃO
Dorme junto de nós, dorme teu sono eterno
na terra a que votaste o santo amor fratterno.
Ao declinar da tarde, ao rebrilhar do sol,
na hora em que descante oculto rouxinol,
virá também do empíreo, alegre filomela,
a tua ingénua filha, a pomba alva e singela,
esvoaçar gentil por entre o ciprestal,
soltando hino inspirado ao sono paternal;
porque, enfim, quem lidou desde a mais tenra idade,
em prol do amor da pátria, em bem da humanidade,
quando é chegada a hora, e deixa a terra enfim,
à entrada do outro mundo encontra um serafim.
(Bulhão Pato, 5 de Fevereiro de 1866)

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