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Monday, July 03, 2006

GASTRONOMIA

A COZINHA FRANCESA

No Béarn, os naturais, contam a seguinte história.
Um notário rotundo viajou a manhã toda por montes e vales. Chega estafado a um restaurante célebre vinte láguas em redor. Chega, e vê ao lume a corar uma soberba perua. Chama o hoteleiro e dis-lhe: «Ponha a mesa para quatro pessoas». Mesa posta, perua na mesa e o nosso bom notário a trinchar. «As asas - exclamava ele cortando, - são para o meu filho mais velho; as pernas - continuava - são para a minha filha mais nova; o peito esse é para a minha mulher e agora estas migalhas são para mim». E distribuía a perua inteira pelos quatro pratos. E o estalajadeiro admirado por não ver ninguém chegar.
«Somente... - dizia o maganão, piscando maliciosamente o olho ao dono do hotel, que o contemplava surpreso, - somente como eu sou celibatário... - e vasava o conteúdo dos três pratos no seu - ... como eu sou celibatário...».
E tranquilamente comeu tudo.
(In Volúpia - A nona arte: a gastronomia, de Albino Forjaz de Sampaio)

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