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Wednesday, January 11, 2006

IDENTIDADE -IV

IDENTIDADE NACIONAL

O que faz a tristeza aguda do olhar das personagens de Nuno Gonçalves, o que faz a doçura um pouco grave, a alegria sempre velada, a distinção e mesmo a discrição no lamento do fado é uma espécie de sebastianismo nativo da alma portuguesa. A nostalgia não de um Império perdido - o que seria pena trivial - mas de um Império para sempre inacessível apesar da circum-navegação de Magalhães à volta do globo. A nostalgia de um Império imaginário, escondido - encoberto - a toda a profanação, não metade do mundo concedida pelo papa espanhol Alexandre Borgia mas duplo do mundo, de que o fabuloso Brasil, o imenso Moçambique, Angola, a Guiné e mesmo a Madeira e os Açores não são mais do que os rostos... Império da Atlântida, talvez, que emociona também o nosso velho sangue celta. Irlanda do continente, Bretanha da Ibéria, tem muitas conivências com os nossos sonhos recalcados de europeus outrora colonizados!
(Gilbert Gurand)

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