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Wednesday, January 04, 2006

IDENTIDADE II

IDENTIDADE NACIONAL

Face de uma Península única onde se misturaram os sangues e os génios ibero, celta, visigodo e mouro. A Europa desde há três séculos que caminha com os pés demasiado no ar - logo com a cabeça para baixo - julgando percorrer o céu dos astrónomos e dos astronautas. Mas o olhar da Lusitânia, debaixo do sobrolho do Mondego, olha outras paisagens com a pupila de Coimbra. O grande sonho de Os Lusíadas não terminou com a descolonização banal. Um eco vindo desse país de sonhos gloriosos desencadeou entre nó, em pleno classicismo, toda a sentimentalidade romântica com a famosa «Religiosa Portuguesa». Soror Mariana não passa talvez de uma ficção, mas que importa! Don Quixote também é uma ficção! E Inês de Castro só ganhou sentido pela história tornada lenda. Mesmo a tão invulgar «Revolução dos Carvos» subitamente acordou na França, tão blasée de revoluções racionais e sangrentas, uma nostalgia primaveril e um interesse novo pela «Varanda sobre o Oceano».
(Gilbert Durand)

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