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Wednesday, December 13, 2006

POESIA - Bulhão Pato

RETRATO D'UMA PORTUGUESA

Branco-mate o tom da cor.
Pé airoso, breve, estreito.
A boca - botão em flor;
e a linha curva do peito!...

Sorrisos abrindo em pérolas.
distinção, graça no porte.
Pupilas como relâmpagos,
que podem dar vida ou morte!

N'essa forma sobre-humana,
que mais seduz, mais domina?
A carne, porção mundana?
O ideal, porção divina?!

Tomam como orgulho indómito
seu olhar fascinador.
Fascina também e é tímida
uma estrela do Senhor!

No grande baile sorria
mais triste do que ditosa;
pois de tal modo estaria
se acaso fosse orgulhosa!

Como d'esse branco-pálido
ressaem as negras comas?
Caminha, formosa única,
cercada de luz e aromas!

São tantos os teus poderes,
triunfadora invencível,
que nas outras mulheres
a própria inveja é possível!

Surgiste real e etérea!
N'estes dias positivos,
Deus ressuscitou romântico
ao sol dos teus olhos vivos!

(Bulhão Pato, 1885)

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